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quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Tarde




As tardes que vão ser e terão sido
São uma só, inconcebivelmente.
São um claro cristal, só e doente,
Inacessível ao tempo e a seu esquecimento.
   São os espelhos dessa tarde eterna
Que em um céu secreto se juntam.
Naquele céu está o peixe, a aurora,
A balança, a espada e o poço.
Um e cada arquétipo. Assim Plotino nos ensina em seus livros, que são nove;
Bem que pode ser que nossa breve vida seja um reflexo fugaz do divino.
A tarde elemental ronda a casa.
A de ontem, a de hoje, a que não passa.
 Os conjurados - Jorge Luis Borges
Tradução: Gleica Granger

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